Happiness.

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From Hector and the search for hapiness!

Numa espécie de momento de reflexão sobre a vida, quiçá num retiro espiritual ao jeito de comer, orar e amar, dei por mim num hotel, entregue ao luxo do dolce far niente a ler a interpretação da tal procura da felicidade levada a cabo por um psiquiatra. Foi um livro que me foi apresentado numa qualquer época de saldos ou feira do livro, não sei precisar, mas que me chamou rapidamente a atenção pelo título que possui. Tendo eu muito de louca, confusa e perdida de amores por tudo o que era tóxico, estas 21 lições fizeram com que pensasse verdadeiramente sobre o tempo e a energia que depositava em coisas, momentos e pessoas que, talvez, não merecessem metade do meu esforço. Li-o em menos de uma semana, de forma curiosa e desenfreada, sendo muitas vezes levada às lágrimas que teimava em disfarçar entre lençóis. Não fiz nenhuma viagem, não percorri o mundo mas plantei o alerta do inconformismo, da autenticidade e do valor que a vida possui em si mesma. Ontem, num fim de dia igual a tantos outros, em que as forças teimavam em faltar, deitei-me no sofá e, de forma automática, percorri vários canais fitando-os no vazio. Um avião desenhado num bloco de notas, qual criança potencial artista, depressa me cativou a atenção. Decidi perceber do que se tratava. Lá estava ele, Hector ou Heitor, a sugar-me novamente a atenção, a relembrar o que tenho esquecido, a revelar-se mais uma vez como fonte suprema de sapiência. Quando a alma faz perguntas no seu íntimo vem a vida e responde com doçura. Está lá. Sempre esteve lá. Que eu não me esqueça destas lições. Obrigado Hector!

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Sonhar.

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Este bom amigo gigante lembra-me Deus. Surge à noite, após a oração que nos ensinaram a praticar, e dá uma ajuda à consciência no fabrico dos nossos sonhos. Ouve os sussurros secretos do mundo com aquelas orelhas gigantes e pega em nós ao colo, com aquelas mãos gigantes, quando não temos mais forças para prosseguir. Rapta-nos de nós mesmos quando precisa de ajuda para ser proclamado e quando sabe que precisamos de nos virar para as coisas de dentro. Tomando consciência da magia e significado da vida, tantas são as vezes que deixamos o altruísmo falar mais alto e conseguimos feitos inimagináveis. Conseguimos derrotar gigantes maiores que o bom amigo gigante, conseguimos procurar auxílio nos nossos semelhantes, conseguimos obter diversão na pausa da luta quotidiana. O bom amigo gigante carrega no cinto a vieira do Caminho de Santiago, no coração a bondade e a humildade do peregrino. Aloja as visitas em barcos, nos quais faz navegar a amizade incondicional, e tem recantos escondidos na sua morada que só acede quem lhe cativa o coração. Com uma linguagem destoante do normal, com poções mágicas que são laxantes das maleitas diárias, o bom amigo gigante dá-nos o prazer de sonhar com o surreal e abraçá-lo como possível. Tal e qual como a fé!

Love.

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Relacionarmo-nos muito para além da química dos corpos, muito para além do físico palpável não tem preço. Encontrar nos sentimentos, na empatia e na mística a força e energia que nos faz levantar todas as manhãs é reconfortante. Construir alicerces com base nos sorrisos de amor, nos olhares brilhantes, na confiança que depositam em nós é desafiante. Conturbados foram os tempos até tu chegares e tratares de me provar que não andei este tempo todo errada e perdida em deambulações surreais. Conturbados foram os tempos em que pensei que um simples abraço teria que ser mendigado ou tinha que esperar pela altura em que outros braços decidissem retribuir. Foi cultivada tempo demais uma cultura de escassez. Precariedade de sentimentos, de palavras, de gestos. Uma alma a definhar, a sentir-se alienígena, a perder-se em si mesma. Um ser que acreditou tempo demais não ser merecedor de grandes voos. Chegou o tempo do basta!. E o mundo pediu que a metamorfose se desse. E ela obedeceu. Foi exactamente quando aprendeu a deixar fluir a vida que ele apareceu e lhe abriu um mundo de possibilidades. Aterrorizada, e atormentada, estranhou tempos sem fim o ar ameno que se respirava, a falta de bagunça, a fluidez dos dias. Lutava para vencer a doença da alma que se lhe tinha instalado sem pedir autorização. Caiu muitas vezes. Um coração de carne regenerada cujas cicatrizes se orgulha de carregar, fruto da sabedoria dos tempos em que a única coisa que lhe restava para não partir era amar de forma incondicional. Lembrou-se que talvez fosse esse o truque que faltava. Sem medo. Porque ele lhe abriu um mundo. Ela só tem que o aproveitar. Com ele. Porque sim!

Desculpa.

Foram 0:39 segundos que me atiraram a alma ao tapete. Fiz parte do lote dos descrentes que zombaram de Éder, uma figura pública, um jogador de futebol, uma pessoa que me esqueci ter sentimentos. Achei piada à alcunha de cone e imensas vezes a utilizei. Mea culpa. Esqueci-me, mais uma vez, que do outro lado se encontrava um profissional, amante do que faz, que pode não ser exímio na execução, pode não ser o mais talentoso do grupo mas que luta arduamente para ganhar o que a sorte não se encarregou de oferecer de bandeja. E é aqui que tantas vezes pecamos. Esquecemo-nos de ver além do evidente. É tão mais fácil juntarmo-nos ao movimento piadolas que entretém, que parar e travar o mesmo em prol das consequências que trará no futuro ao alvo de gozo. O futebol é a profissão dele, como cada um de nós tem a sua e não quereria, com toda a certeza, ser pisado e até humilhado, por não ser tão bom quanto as expectativas que depositam em nossos ombros fazem crer. Colocamos de parte a atitude de empatia porque dá trabalho, imenso trabalho e nós queremos facilidades. Peço desculpa Éder, não por não ter acreditado em ti mas antes por ter sido mais uma pessoa a contribuir para o teu sentimento de frustração e tristeza. Obrigado por teres arranjado a força suficiente para te sobrepores a tudo o que foi dito e teres mostrado, e até ensinado, a humanidade e humildade àqueles que não a têm ou se esqueceram dela em alguma esquina. Desculpa ter causado aquelas lágrimas nocturnas que todos nós já choramos quando não percebemos que temos de errado para que nos gozem e rebaixem. Desculpa a sensação de lixo que te deixei quando partilhava mais uma piada sobre ti e sobre as tuas fraquezas. Desculpa por não ter dedicado o meu tempo a saber um pouco mais de ti em vez de o ter gasto a difamar-te. Obrigado por me dares uma chapada de luva branca ao encontrares no Coaching (algo que tanto prezo) a força para mudares a tua perspectiva sobre a vida e sobre ti próprio, não precisando da opinião de terceiros para encontrar o teu oásis. Fizeste algo que há muito ambiciono e ainda não fui corajosa o suficiente. Obrigado por seres um exemplo a seguir. Perdão por ter instigado o descrédito, a inferiorização, o medo e a frustração em ti. Obrigado por não me teres ouvido. Obrigado por acreditares em ti, só em ti. Obrigado por seres humano. Obrigado pela lição de vida. De patinho feio a cisne, continua a lutar por ti e pelo teu sucesso porque enquanto pessoa estás anos luz à frente da maior parte da humanidade. Um beijinho de alguém que já te deve respeito há imenso tempo! Força Campeão! Em nome de Portugal, OBRIGADO!

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Deixa ir.

Quando o mundo teimar em vincar a mesquinhez, o poder desmesurado e a loucura insana de quem se encontra perdido dentro de si mesmo, deixa ir. Quando decidirem atacar através de posições estrategicamente cobardes, deixa fluir. Quando se refugiarem em doenças mentais para esconderem lacunas sentimentais e te atacarem injustamente, compadece-te. Quando olhares em volta e te sentires a sufocar num ar pesado de ganância, intolerância, falta de sapiência e conflitos, deslumbra-te. É sinal que a tua alma se encontra num nível muito mais elevado de descoberta, gratidão e conhecimento do verdadeiro significado da vida. É prova de que a tua essência e o teu foco se encontram unidos. Não estás a ser arrogante. Estás a ser consciente. Agarra-te a isso e não desistas. Não estás errado. Não és ingénuo demais. Se os outros não vibram através do amor, haverão de lá chegar. Dá o teu exemplo. Sê fiel ao que és. Vive a cores, mesmo que teimem em fazer prevalecer o preto e o cinza. Deixa ir. Deixa-te ir.

Perdoar.

Pela manhã, aquando das divagações normais pelas redes sociais, deparei-me com este belo texto:

uma coisa que termina não é, necessariamente, uma coisa que não deu certo. tal como um ponto final não é necessariamente um vazio. fim não é sinónimo de erro, fim não é sinónimo de falha, fim não é sinónimo de más decisões, de más escolhas, de má sorte ou de más pessoas.

dentro de um fim cabe um mundo de coisas/pessoas/vidas que deram muito certo. dentro de um fim cabe uma estrada que passou por muitos e bons lugares e que, hoje, apresenta outras vias, outros sentidos, outros rumos. dentro de um fim cabe muito Amor, muita Vida, muito sol, muitos dias bonitos que apenas passam a ter outro nome e outra morada dentro do nosso peito.

olhar para o que termina como uma falha, um azar, uma culpa sem fim e um aperto que não deixa respirar e ver (um bocadinho) mais longe, é o mesmo que não acreditar nas voltas certas que o mundo dá. é o mesmo que desaprender a conjugação do verbo confiar. e é o mesmo que deixar morrer cá dentro, o lado bonito que acredita em finais felizes – os que abrem sempre novos recomeços. |às 9 no meu blogue|

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Por vezes o que nos falta é que alguém, do alto da sua humildade com foco na nossa dignidade, não hesite em dizer, com amor e confiança em nós, que os erros, as falhas e os percalços não nos definem para sempre, não nos determinam uma vida sem soluções, sem hipótese de sucesso. E palavras tão simples e verdadeiras podem ser os desbloqueadores de que necessitávamos para dar o passo determinante, o passo da mudança que ansiamos alcançar.

Já num estado de descompressão de fim de dia, em que o sistema de alerta deixa de funcionar e nos entregamos ao simples acto de acompanhar o movimento de uma bola durante 90 minutos, surge em jeito de banda sonora a Future Days, dos Pearl Jam. Numa ligação emocional imediata aos primeiros acordes, sem saber bem como ou porquê, percebi que o alinhamento da mensagem do texto anterior se desenrolava de forma magnífica. Não podia ser coincidência.

E, como não há duas sem três, já dizia o ditado popular, a noite reservou-me uma Masterclass da Dharma5 Academy com a Diana Gaspar, sobre o tema Descobre o caminho do Perdão. Após conteúdos programáticos pertinentes, um exercício libertador de desbloqueio e desintoxicação emocional que funciona como um banho de alma.

Juntando estes pequenos nadas que a vida me foi reservando ao longo do dia, adormeço com a certeza de que os seus trilhos são mais sábios que os meus. Entrego-lhe assim a confiança de que, lá na frente, seja essa frente amanhã ou daqui a uns valentes anos, tudo se explica, tudo encaixa, tudo é o que tem de ser!

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