Sonhos. Ideias. Ambições.

Tenho para dar e vender. Acordo a meio da noite e sujeito tantas vezes o meu corpo ao piloto automático para registar com medo que a mente me atraiçoe e me escapem. É desafiante, viciante mas tem dias que é cansativo. Tem dias que nos chamam de loucos quando pensamos fora da caixa. Quando tentamos impulsionar o outro, reforçando positivamente, dizendo com todas as letras o que sentem como motivação mas tencionam calar. E levantam-nos a voz, argumentando com a temática da crise, do mau momento para novos negócios, da nossa imaturidade e inconsciência face à vida. Magoa, fere, mata um pouco da resiliência, fé, dedicação, trabalho e esperança num futuro à nossa imagem, determinado não pelo que o mundo pretende para nós mas sim pelo que pretendemos para o mundo! É nesses dias que tudo fica turvo, que a força e a vontade se desvanecem um pouco e sucumbimos ao facilitismo de questionar e ponderar a mais valia de ser acomodado. Passado o tempo de amuo, depressa concluímos que a dor que sentimos, fruto da mágoa que nos tentam infligir, em nada se compara à dor de largar o que temos de mais nosso, de mais precioso. Podem surgir lágrimas de incompreensão, medo do falhanço, confusão de trilhos a seguir. Pode instalar-se um nó na garganta e no estômago. Pode a respiração acelerar e o coração trocar o seu ritmo normal. Terei a certeza de que serei sempre mais feliz e preenchida com este distúrbio de realidade do que se me tornar em alguém que tem que descer à terra, aceitando, sem contestar, que certas limitações monetárias condenam a vida à pequenez de realização pessoal. Posso passar uma vida inteira a reger-me por propósitos de vida, por mudanças no mundo que quero implementar, por valores e ideais que quero proclamar. Com certeza olharei para trás e verei uma vida com sentido… pelo menos com mais sentido do que aquela que querem que viva, impedindo a minha alma de sonhar com voos maiores!  Só que dói… miudinho, mas dói! eu-acredito-em-um-amanha

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Benfica.

Adepta fervorosa, que vibra com títulos e se ressente de derrotas e anti-jogo! Assim sou eu. Assumo que esta temporada não me dediquei muito ao futebol, tal era o aglomerado de actividades e pessoas que me sugavam, e bem, as energias. Mas um título é um título e a realidade de um bicampeonato, que não acontecia há mais de 30 anos, é um marco capaz de fazer reencontrar o adepto mais perdido.

Desde um fim de jogo surreal, em que o dono do estabelecimento onde assistíamos, também ele benfiquista, pasmem-se!, se lembrou de colocar música de Daft Punk a altos berros nos minutos finais, até a imagens escabrosas que me surgiram ao deitar, tudo aconteceu na Comemoração do Título, também ele oferecido, vá-se lá a ver, por um mocito dos azuis! So many information, God… 

24h volvidas de um misto desenfreado de ânimos contraditórios, surge a lucidez sobre temas fortes, sobre valores e sobre o estado da sociedade. Cada vez mais surgem fãs das generalizações e nem todos, por mais críticos que queiram ser, o fazem do ponto de vista lógico da questão. Incendeiam as redes sociais com formas pouco ortodoxas de resolver problemas, têm sempre algo a dizer sobre o tema do momento e o problema disto é que não há uma análise primária, um filtro, uma reflexão sobre o que se partilha. Sendo a crescente violência a máxima do dia, apraz-me dizer que a mesma é directamente proporcional à falta de valores a que assisto, dia após dia. Isto é grave e assusta-me. Não há pensamento crítico em larga escala, desenganem-se. O que há é formas mais fáceis de partilha, há mais acesso à informação e é aí que temos que entrar em acção, que é como quem diz, pensar, analisar e decidir o que é real e o que não é. É fácil surgir juízos de valor, aliás, surgem aos magotes… o que é mais difícil é confirmar a veracidade dos factos, o meio em que se inserem e a sua oportuna ou inoportunidade! O que se espalha nas redes sociais não é mais que uma forma chique de fofoquice que todos condenam quando boca a boca. Deixemo-nos de peneiras!

Não podemos ser condenadores dos que praticam violência psicológica para no minuto seguinte destilar ódio directo para cima de um bando de miúdos com atitudes execráveis. Não podemos ser julgadores de actos de vandalismo e fechar os olhos quando se trata de um clube com o qual temos empatia. Não podemos tomar o todo pela parte, parte essa tantas vezes podre. Não podemos querer ser pensadores, críticos, filósofos com parcialidade de análise. Não, chega!

Pegando no tema do título, e trazendo o foco novamente a esta partilha, o que se preparou e investiu para culminar em festa fervorosa e inesquecível de um desporto que move multidões, foi manchada por incidentes que pouco dignificam o ser humano. Um agente de autoridade que agride cidadãos de várias idades, aparentemente sem razão. Um grupo de vândalos que promove o desacato gratuito contra a multidão e as forças de intervenção, aparentemente sem razão. E é este sem razão que me revolta e faz questionar o propósito de vida destas pessoas e ainda constatar que a educação de que esta sociedade está a ser alvo não funciona. Há um decrescimento de valorização e tempo dispensado aos valores, à cidadania, à educação. Tudo gira em torno de dinheiro, de ambição desmedida, de necessidade de ascensão, reconhecimento, superioridade. Esquece-se, há anos, de humanizar as relações intra e interpessoais! E, como vamos vendo, faz uma falta danada.

O futebol é uma festa de família sim, seja ela de sangue ou de coração. É seguro sim porque não há milhões de vândalos dispostos a estragar a festa. É universal sim porque faz sonhar gerações. Não se pode ignorar o arrepio que o hino e a cor que nos representa suscita. Não se deve perder a fé naqueles que, humanamente, honram a farda que envergam. Não se pode tomar o todo pela parte, repito!

Que a vida nos dê sempre a capacidade de denunciar e combater os actos que atentam contra a vida humana. Que nos forneça destreza mental para podermos humanizar os nossos actos. Que crie em nós a tendência crescente de valorizar o bem, de realçar e criar o bom, de ter esperança no poder de mudança que temos em mãos se soubermos ser, cada vez mais, pessoas implicadas, pessoas chamadas à razão!

A violência gera violência, ponto assente. Urge que a justiça comece a funcionar para que haja um basta neste desgoverno. Eu, que fui vítima de violência as vezes suficientes para poder falar, nunca resolvi nenhuma com incitação à mesma. E não foi por falta de vontade, visto que fervo como qualquer ser humano humilhado, mas por tomada de consciência de que nada resolveria com essa atitude, só compraria guerras e a minha paz é bem mais preciosa. Não sou nenhuma otária, nem tão pouco me deixo pisar mas tento, o melhor que consigo, usar a minha inteligência para não me juntar a actos medíocres de quem só consegue se impor por meio da opressão. Esse não é o ser em que me quero tornar. Viso antes defender e lutar para que se previna, que se evite actos como os deste fim de semana.

Eu já estive no lugar daquele miúdo. Exactamente no mesmo lugar, em que o meu progenitor estava envolvido em ristes não provocadas por ele. Ao ver aquelas imagens senti a dor e o pânico de uma inocência a ser dilacerada. E é das sensações que recordo como mais perturbadoras da minha vida. A elas junto a claustrofobia provocada pela sensação de pânico numa multidão desnorteada. Com a vida em risco as vezes suficientes, não deixei de acreditar nunca na essência dos momentos. Sempre me foquei em não permitir que me roubassem o gosto pela vida e pelo que de bom ela me proporciona… sendo para isso necessário lutar contra traumas e aprender a viver com eles!

E é isso que peço que seja feito. Que se trabalhe para erradicar actos de vandalismo e violência gratuita, que se aposte na prevenção dos mesmos, que se reavaliem valores, que se dê importância às relações humanas e que se foque e engrandeça o que de bom acontece e se faz!

O Benfica quis oferecer uma festa aos seus e conseguiu. A Polícia quis desenvolver um bom plano de segurança e conseguiu. Os tristes actos que criaram ferida numa onda de euforia e alegria clubística não provêm de acções irreflectidas de quem só queria celebrar. Portanto, como se vê, não são os bons sentimentos, como a alegria, a euforia, a felicidade, que perturbam o mundo mas sim a raiva, o ódio, a inveja, a dor. E têm um efeito borboleta, tantas vezes devastador. Que nos sirva de lição, a nós sociedade. Que dispamos o manto arrogante da competição e da ambição desmedida. Que dediquemos mais tempo ao nosso semelhante. Que entendamos, de uma vez por toda, e com base em clubismos baratos, que o que é importante é a dedicação ao emblema que trazemos ao peito: sermos PESSOA!

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Afectos e Ternura!

Conhecia a Marta de vista. Era amiga de amigos, namorada de um conhecido e tinha a noção de que era de uma terra próxima da minha. Ou seja, informação pouco ou nada relevante. Voltei a privar com ela, já adulta, em comemorações de Carnaval e dos Santos. Isto tudo para concluir que o meu grau de intimidade com a Marta era escasso.

Entretanto, e porque o facebook é um mundo, fiquei a saber que era Psicóloga e que, ao bom jeito empreendedor, sonhou um projecto ousado para cuidar com afecto e ternura de crianças com e sem deficiência e com problemas de desenvolvimento. De todo este amor que transbordava do seu peito, e que era visível a todos, surgiu a menina dos seus olhos: a Afectos e Ternura, localizada em Ovar! Segui este projecto desde a sua génese e acreditei no mesmo desde o primeiro instante em que privei com ele. Quando empenhamos o nosso amor e o nosso cuidado em prol da mudança do mundo, ela só poderá ter sucesso!

A Afectos surgiu com a pretensão de ser um complemento à aprendizagem feita nas escolas, e tem a intenção de promover um acompanhamento terapêutico, estimulando ao máximo as capacidades de cada criança. Quase 2 anos volvidos, contempla também oficinas de arte, babyoga, dança criativa, actividades lúdicas no período de aulas e férias, festas de aniversário e o mais recente sucesso, a Sala de Integração Sensorial David L. Ramos!

Este projecto foi alcançado através de uma intervenção de Crownfunding, da qual fiz parte. Foi uma luta com um final feliz que tem como objectivo ajudar crianças e adolescentes com:

– Dificuldades de Aprendizagem Específicas (dislexia, disortografia, discalculia, disgrafia);
– Perturbação do Espectro Autista / Síndrome de Asperger;
– Ansiedade;
– Síndrome de Tourette;
– Perturbação Obsessivo-Compulsiva;
– Perturbações do Desenvolvimento (Trissomia 21, Tiques, Deficiência Mental…);
– Sobredotação;
– Problemas auditivos / visuais;
– Depressão;
– Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção, entre outras.

Quando a Marta me convidou para a inauguração da sua sala especial (que também sinto como minha!) senti-me feliz, a transbordar esperança! Ajudei o sonho de uma pessoa a realizar-se, sonho esse que ajudará um sem número de crianças e jovens a viver com mais qualidade de vida. Previa um momento muito bom… mas foi bem mais do que isso! Foi emocionante ver o projecto realizado, real, vivo. Foi entusiasmante ter opções de acompanhamento para quem é tantas vezes negligenciado. Foi maravilhoso privar com a magia das luzes, das cores, dos materiais específicos. Por momentos senti-me criança e tive vontade de usufruir de todo aquele ambiente relaxante. Caminhei deslumbrada entre bolas de todas as cores, tapetes, trampolins e, quando as luzes se apagaram, foi mágico focar nos candeeiros de lava, na bola de espelhos, nas luzes coloridas e imaginar que aquilo que me fascina pela beleza é terapia. A Marta trabalha com dedicação, profissionalismo e brio muito próprios e isso realça a sua diferença!

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Um mês e um dia depois da inauguração da sala especial, dedico-lhe as minhas palavras de apreço e de força para que nunca perca a motivação para fazer mais e melhor por quem precisa. Obrigado Marta, obrigado Afectos e Ternura por oferecerem esperança!

Afinal os milagres acontecem…